Um vereador pelo humor?

Morando em Bragança Paulista (SP), o quadrinhista e caricaturista Fadão, pseudônimo de Fábio Gonçalves da Silva, já merece ter seu nome inscrito na história do humor de traço no Brasil por ter ganho 2 prêmios internacionais no ano de 2005: um do Iran Cartoon, uma absoluta referência no setor, no plano mundial, e outro, em concurso com a chancela da UNESCO e da Associação de Cartunistas do Leste-Africano (KATUNI). Agora, o craque do desenho quer merecer o voto de seus concidadãos para - entre outras coisas - impulsionar a criação de mais um salão de humor, no Brasil.
Como veremos abaixo, o Fábio já brindou os leitores do nosso Neorama dos Quadrinhos com algumas ilustrações editoriais marcantes. Para além desse convívio 'editorial', eu conheço de perto o caráter do artista - que também é dentista. Assim, acredito que é meu dever ajudar para que esse intento do Fadão tenha a visibilidade que merece. Na entrevista abaixo (realizada a distancia), procuramos dar voz ao - eventual - vereador do humor.
Marko Ajdarić: Fadão, você concorre a vereador em Bragança Paulista? Por que chegou a esta decisão?
Fábio Gonçalves da Silva: Tomei esta decisão por confiar muito no meu trabalho e na dedicação à cidade. Sinto que Bragança tem um grande potencial para cinema e quadrinhos, visto que recebi vários trabalhos de crianças de nossa cidade. Sinto a necessidade de divulgar essa possibilidade para toda a região, e decidi partir para uma abordagem política, pois nada melhor que o apoio administrativo para alavancar este segmento. O cinema e os quadrinhos podem fazer girar ainda mais a economia da região, assim como o turismo.
Marko Ajdarić: Você tem uma proposta que deve interessar ao mundo da Nona Arte, pode nos falar dela?
Fábio Gonçalves da Silva: Claro. Bragança é uma cidade estratégica, próxima de São Paulo. Sou bragantino de nascença; as duas atividades que desenvolvo são atividades de cadeira, de reclusão. Mas sempre senti a necessidade que os quadrinhistas e animadores da região têm de criar um pólo de produção (e não só de consumo) da arte do desenho. Nada como um salão de humor para dar o pontapé inicial: o Salão de Humor da Linguiça. Podemos associar esse salão à promoção do cinema, como fatores dinamizadores da economia e geradores de emprego
Marko Ajdarić: Por que Salão da Linguiça?
Fábio Gonçalves da Silva: Porque Bragança Paulista foi, e ainda é um grande polo de suinocultura. A suinocultura foi e é uma das molas propulsoras da economia da cidade. E também, da divulgação da nossa cidade: não há um lugar que eu vá em que não falem da 'Terra da Linguiça'
Marko diz: Se você não for eleito, tem como influenciar a próxima legislatura para que o salão venha a acontecer?
Fábio Gonçalves da Silva: Não podemos pensar em derrota, mas por ser a primeira vez que me candidato à câmara, a chance de vitória é contestável,
porém o peso dos votos que espero ter pode (e irá) abrir um canal forte de comunicação entre nosso setor e a administração. Isso se soma ao bom relacionamneto que tenho com outros colegas, que estão na ponta da corida eleitoral.
Marko Ajdarić: Você se sente incentivado pelo exemplo de Paraguaçu Paulista? Como vê o quadro atual de salões de humor no interior de São Paulo?
Fábio Gonçalves da Silva: Bem, não tenho participado de salões atualmente, devido a minhas atividades, porém durante muito tempo, o interior teve como referencia o Salão de Piracicaba, que movimenta a cultura e o turismo. O que eu notei, foi uma descentralização. Foram surgindo novas referências no nosso meio, como Paraguaçu, Varginha (em Minas Gerais) e Presidente Prudente. Vou usar o salão de Paraguaçu como referência, e depois analisar os números. Minha intenção é mobilizar a região de Atibaia-Bragança. Até por que Atibaia já tem um festival de curtas-metregens, que já se tornou muito forte.
Marko Ajdarić: Por falar em cinema, você tem um projeto social na área de animação. Pode nos falar sobre ele?
Fábio Gonçalves da Silva: Hoje em dia, tempos uma dificuldade muito grande com as crianças, e - principalemnte - com os adolescentes carentes, que têm uma falta de perspectiva com relação ao futuro, em termos de emprego, educação, cultura e lazer. Por isso, imagino que - apresentando um novo setor de desenvolvimento econômico, instrutivo e cultural - conseguiremos atrair o interesse dessas crianças, para que elas fiquem longe das drogas e da violência. além de diminuir a grande lacuna que está aberta do coração destas crianças, que é a falta de motivação, de carinho e de atenção, da porópria família, muitas vezes. O setor envolve cinema, desenvovimento de games, quadrinhos e desenho.
Com a força de um salão próprio, podemos reunir as experiências das pessoas que vivem na região, e montar uma associação de quadrinhistas, animadores e desenhistas, para desta maneira, realizarmos oficinas nas perfiferias. Vamos movimentar essa produção. As oficians vão enriquecer o salão, e vice-versa.
O importante é desenvolver esse segmento, pouco explorado atualmente.
Marko Ajdarić: alguma saudação final, para nossos e-leitores e para seus colegas?
Fábio Gonçalves da Silva: Sim. Uma criança sempre tem um sonho singular, mas um sonho singular pode pertencer a várias crianças. Anos atrás, recebi meu primeiro reconhecimento do trabalho como cartunista, através da revista Don Quichotte, alemã, que me pegou de surpresa, e me trouxe muita alegria. Porém, só hoje percebo qual é a realidade por trás desse incentivo. É como a parábola das moedas: eu recebi uma moeda, poderia usá-la para mim. Poderia guardá-la. Mas sinto que minha função é devolver essa moeda, multiplicada. Assim, quero contar com seu apoio, e espero que abracem essa idéia.
2 artes de Fadão, no arquivo do Neorama dos Quadrinhos:

Caricatura de Manuel García Ferré, pelos 50 anos de Hijitus, para o Quadrantes dos Quadrinhos 61

Caricatura-adeus ao poeta das parêmias, Moacir Félix, para o Quadrantes dos Quadrinhos 83.

Marko Ajdarić
Neorama dos Quadrinhos
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http://www.neorama.com.br/

Morando em Bragança Paulista (SP), o quadrinhista e caricaturista Fadão, pseudônimo de Fábio Gonçalves da Silva, já merece ter seu nome inscrito na história do humor de traço no Brasil por ter ganho 2 prêmios internacionais no ano de 2005: um do Iran Cartoon, uma absoluta referência no setor, no plano mundial, e outro, em concurso com a chancela da UNESCO e da Associação de Cartunistas do Leste-Africano (KATUNI). Agora, o craque do desenho quer merecer o voto de seus concidadãos para - entre outras coisas - impulsionar a criação de mais um salão de humor, no Brasil.
Como veremos abaixo, o Fábio já brindou os leitores do nosso Neorama dos Quadrinhos com algumas ilustrações editoriais marcantes. Para além desse convívio 'editorial', eu conheço de perto o caráter do artista - que também é dentista. Assim, acredito que é meu dever ajudar para que esse intento do Fadão tenha a visibilidade que merece. Na entrevista abaixo (realizada a distancia), procuramos dar voz ao - eventual - vereador do humor.
Marko Ajdarić: Fadão, você concorre a vereador em Bragança Paulista? Por que chegou a esta decisão?
Fábio Gonçalves da Silva: Tomei esta decisão por confiar muito no meu trabalho e na dedicação à cidade. Sinto que Bragança tem um grande potencial para cinema e quadrinhos, visto que recebi vários trabalhos de crianças de nossa cidade. Sinto a necessidade de divulgar essa possibilidade para toda a região, e decidi partir para uma abordagem política, pois nada melhor que o apoio administrativo para alavancar este segmento. O cinema e os quadrinhos podem fazer girar ainda mais a economia da região, assim como o turismo.
Marko Ajdarić: Você tem uma proposta que deve interessar ao mundo da Nona Arte, pode nos falar dela?
Fábio Gonçalves da Silva: Claro. Bragança é uma cidade estratégica, próxima de São Paulo. Sou bragantino de nascença; as duas atividades que desenvolvo são atividades de cadeira, de reclusão. Mas sempre senti a necessidade que os quadrinhistas e animadores da região têm de criar um pólo de produção (e não só de consumo) da arte do desenho. Nada como um salão de humor para dar o pontapé inicial: o Salão de Humor da Linguiça. Podemos associar esse salão à promoção do cinema, como fatores dinamizadores da economia e geradores de emprego
Marko Ajdarić: Por que Salão da Linguiça?
Fábio Gonçalves da Silva: Porque Bragança Paulista foi, e ainda é um grande polo de suinocultura. A suinocultura foi e é uma das molas propulsoras da economia da cidade. E também, da divulgação da nossa cidade: não há um lugar que eu vá em que não falem da 'Terra da Linguiça'
Marko diz: Se você não for eleito, tem como influenciar a próxima legislatura para que o salão venha a acontecer?
Fábio Gonçalves da Silva: Não podemos pensar em derrota, mas por ser a primeira vez que me candidato à câmara, a chance de vitória é contestável,
porém o peso dos votos que espero ter pode (e irá) abrir um canal forte de comunicação entre nosso setor e a administração. Isso se soma ao bom relacionamneto que tenho com outros colegas, que estão na ponta da corida eleitoral.
Marko Ajdarić: Você se sente incentivado pelo exemplo de Paraguaçu Paulista? Como vê o quadro atual de salões de humor no interior de São Paulo?
Fábio Gonçalves da Silva: Bem, não tenho participado de salões atualmente, devido a minhas atividades, porém durante muito tempo, o interior teve como referencia o Salão de Piracicaba, que movimenta a cultura e o turismo. O que eu notei, foi uma descentralização. Foram surgindo novas referências no nosso meio, como Paraguaçu, Varginha (em Minas Gerais) e Presidente Prudente. Vou usar o salão de Paraguaçu como referência, e depois analisar os números. Minha intenção é mobilizar a região de Atibaia-Bragança. Até por que Atibaia já tem um festival de curtas-metregens, que já se tornou muito forte.
Marko Ajdarić: Por falar em cinema, você tem um projeto social na área de animação. Pode nos falar sobre ele?
Fábio Gonçalves da Silva: Hoje em dia, tempos uma dificuldade muito grande com as crianças, e - principalemnte - com os adolescentes carentes, que têm uma falta de perspectiva com relação ao futuro, em termos de emprego, educação, cultura e lazer. Por isso, imagino que - apresentando um novo setor de desenvolvimento econômico, instrutivo e cultural - conseguiremos atrair o interesse dessas crianças, para que elas fiquem longe das drogas e da violência. além de diminuir a grande lacuna que está aberta do coração destas crianças, que é a falta de motivação, de carinho e de atenção, da porópria família, muitas vezes. O setor envolve cinema, desenvovimento de games, quadrinhos e desenho.
Com a força de um salão próprio, podemos reunir as experiências das pessoas que vivem na região, e montar uma associação de quadrinhistas, animadores e desenhistas, para desta maneira, realizarmos oficinas nas perfiferias. Vamos movimentar essa produção. As oficians vão enriquecer o salão, e vice-versa.
O importante é desenvolver esse segmento, pouco explorado atualmente.
Marko Ajdarić: alguma saudação final, para nossos e-leitores e para seus colegas?
Fábio Gonçalves da Silva: Sim. Uma criança sempre tem um sonho singular, mas um sonho singular pode pertencer a várias crianças. Anos atrás, recebi meu primeiro reconhecimento do trabalho como cartunista, através da revista Don Quichotte, alemã, que me pegou de surpresa, e me trouxe muita alegria. Porém, só hoje percebo qual é a realidade por trás desse incentivo. É como a parábola das moedas: eu recebi uma moeda, poderia usá-la para mim. Poderia guardá-la. Mas sinto que minha função é devolver essa moeda, multiplicada. Assim, quero contar com seu apoio, e espero que abracem essa idéia.
2 artes de Fadão, no arquivo do Neorama dos Quadrinhos:

Caricatura de Manuel García Ferré, pelos 50 anos de Hijitus, para o Quadrantes dos Quadrinhos 61

Caricatura-adeus ao poeta das parêmias, Moacir Félix, para o Quadrantes dos Quadrinhos 83.

Marko Ajdarić
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